Para psicólogos: temas polêmicos que envolvem 6 mitos sobre a Terapia Cognitiva.

15/05/2014

O convívio com o estudo e a prática da terapia cognitiva leva diversos psicólogos cognitivo-comportamentais a concordar com a existência de mitos sobre esta abordagem psicológica não só entre as pessoas que procuram terapia, mas principalmente entre outros psicólogos experientes e estudantes de psicologia.

 

O primeiro mito: "A TCC trata os casos superficialmente, foca em eliminar sintomas sem analisar questões em seu sentido amplo". A Teoria Cognitiva assume três níveis de cognição: pensamentos automáticos, crenças intermediárias e crenças centrais. Os pensamentos automáticos formam o nível mais superficial, sendo o mais rápido e fácil de trabalhar, mas difícilmente o trabalho do psicólogo se resumirá a trabalhar este nível para obter mudanças significativas de comportamento. Ainda que o grau de mudança seja determinado pelas metas do paciente nas sessões iniciais, as metas mais simples podem demandar menos ou mais da terapia. Além disso, o que para as pessoas de convívio pode ser considerado uma pequena mudança pode significar para o paciente uma grande mudança em termos cognitivos. Quanto a "elmininar sintomas", o terapeuta também auxilia o paciente a avaliar criticamente seu desejo de mudança, afim de realizar um trabalho justo, não prescritivo e realmente necessário.

 

Outro mito gira em torno da questão da medicalização e do uso dos manuais DSM-IV e CID-10, assumindo que o psicólogo cognitivo assume uma conduta higienista, colaborando com o agravamento dessa questão. Esta questão é complicada até mesmo entre os terapeutas cognitivos, pois é necessário muito estudo e supervisão adequados para o terapeuta aprender como usar os manuais de forma crítica, já que os manuais contém "padrões de adoecimento" e cabe ao terapeuta avaliar criticamente sempre que for usá-lo. Além disso, os manuais listam inúmeros transtornos e distúrbios que na prática irão apenas auxiliar a descrição burocrática de casos em laudos e cadastros em instituições. Quanto ao trabalho combinado com o do psiquiatra, este é recomendado enquanto o uso de remédios auxiliar o indivíduo em relação a seus objetivos de vida, e deve ser combatido quando for usado em situações em que o ambiente necessita mudança no lugar de um indivíduo (entendendo inclusive que o uso em excesso comprometerá o organismo do paciente), como a supressão de comprortamentos fora de padrões aceitos socialmente, adequar performances escolares a metas de instituições, etc

 

Terceiro mito: "A TCC se resume à aplicação de técnicas e ignora o passado do paciente, focando apenas nos problemas atuais". Este é um equívoco grave, pois o trabalho do terapeuta sem a conceituação cognitiva torna-se muito pobre e aleatório, talvez até análago a conversar com um amigo ou baseado em opiniões do senso comum. A conceituação cognitiva é uma esquematização de toda a cognição do paciente que começa a ser feita desde a primeira sessão até a última, assim é possível dar sequência lógica ao trabalho realizado ao longo das sessões de modo que esse tenha efeito sob os níveis de cognição mais profundos. Além disso, trabalhar crenças centrais e entender como atuam os esquemas do paciente se tornaria muito difícil de ser feito ignorando sua história passada.

 

 

O quarto mito diz: "A TCC é eficaz somente para pessoas intelectualizadas". A verdade é que se torna muito mais fácil trabalhar quando o paciente é alfabetizado e tem mais tempo de estudo, mas a TCC pode ser efetiva com pacientes em qualquer nível de escolaridade. O correto é adequar o trabalho ao paciente e não "encaixar" o paciente à teoria. O que muitos psicólogos e estudantes de graduação desconhecem é que além dos livros básicos, há bibliografia disponível para os "casos de díficil manejo". Por mais que seja fácil estudar o ABC da teoria cognitiva, sua boa aplicação pode tornar-se muito complicada, exigindo muito estudo.

 

Quinto mito: "Terapeutas cognitivos são frios, não prezam pela relação terapêutica e ignoram as emoções no processo terapêutico" Embora na TCC não sejam comuns os termos "transferência" e "contratransferência", a relação terapêutica é muito importante já que preza pelo trabalho colaborativo entre paciente e terapeuta, a TCC não invalida a importância desses conceitos e da identificação na adesão à terapia e solução de problemas interpessoais do paciente. As emoções não são de modo algum desprezadas, pois o que justamente compõe a base da teoria cognitiva é a relação entre sentimento, pensamento e comportamento. Assim, as emoções, em suas diversas manifestações e intensidades são fundamentais durante o processo terapêutico.

 

Sexto e último mito: "A TCC baseia-se em tornar o pensamento positivo" Errado! Ao longo da terapia trabalha-se para tornar sentimentos, pensamentos e comportamentos proporcionais à realidade das situações, entendendo que um olhar excessivamente otimista pode ser tão disfuncional quanto um extrememente pessimista. Será função do psicólogo promover a flexibilização o pensamento, levando o paciente à avaliação crítica dos fatos e reações proporcionais a estes.

 

Estas informações são importantes, pois desconstruir estes mitos é zelar pela representação social do psicólogo. Além disso, dessa forma torna-se possível avaliar quando um paciente apresenta maior probabilidade de responder melhor a uma abordagem ou outra, realizando encaminhamentos de forma ética. Vale lembrar que a mistura de abordagens é outro tópico a ser discutido, pois é muito realizado por psicólogos embona não seja aconselhável por deixar de ser embasada científicamente. Mais vale uma teoria bem aplicada do que a mistura de várias para não perder o paciente e correndo o risco do fracasso e de ferir a boa representação social da profissão.

 

Amábile Rodrigues Siqueira - Psicóloga em Santos - CRP 06/118851 - Consultório de Psicologia Gonzaga/Santos-SP

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Amábile Rodrigues Siqueira é psicóloga pela Universidade Federal de São Paulo atuando na cidade de Santos.

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