Como evitar tensões com as outras pessoas sem sair perdendo.

 

Este artigo irá te mostrar um pouco do básico para se comunicar mantendo uma boa convivência, minimizando a possibilidade de conflitos antes mesmo de começarem e te dando primeiros recursos para enfrentar aquelas pessoas mais difíceis. Vamos a eles.

 

 

 

 1. Você sempre responde ao que acontece à sua volta, até mesmo quando se abstém.

 

 

 

O mundo não para um minuto sequer e o tempo todo em que estamos acordados temos uma infinidade de detalhes a perceber podendo intervir neles conforme o nosso interesse.

 

Porém muitos de nós entra em duelo com os interesses e os resultados obtidos. Por quê?

 

Porque alguns intervêm muito pouco ou nada e outros intervêm excessivamente ou de forma inadequada; ou seja, alguns são muito passivos e outros muito agressivos.

 

O passivo geralmente percebe pontos de divergência, mas abstém-se de esclarecê-los com as pessoas envolvidas para que sejam sanados, não dá consequências a combinados não cumpridos, abre mão dos próprios direitos para evitar conflitos, etc

 

O agressivo não inclui apenas comportamentos fisicamente violentos. A agressividade pode se configurar de maneiras muito sutis. Pode bater ou ferir pessoas, assim como também pode xingar, ofender de variadas formas, gritar ou falar em entonação verbal ríspida, ser irônico ou sarcástico, acusar, insinuar, etc

 

A passividade e agressividade não são meios ideais de resolver situações. As circunstâncias podem facilitar ou dificultar a ocorrência destes comportamentos. Existe um meio-termo que nos assegura melhores resultados sobre os quais vou lhe contar logo mais; por enquanto continue lendo o porquê devemos evitar os extremos passivo e agressivo.

 

2. A atitude que você toma diante de tudo o que acontece ensina a quem está a sua volta o que continuar fazendo.

 

 

 Este tópico é tão simples e óbvio que eu poderia duvidar sobre colocar aqui ou não, mas é muito importante. Nada melhor do que mostrar de vez em um exemplo:

 

Imagine que um dia quando você sai de casa encontra um cocô de cachorro no tapete da sua porta. Você não sabe se um cachorro da rua esteve ali lhe presenteando com esse aromatizante natural terrível; então no primeiro dia você recolhe.

 

No dia seguinte você cruza com um dos seus vizinhos quando está chegando em casa e conhece o novo amigo dele, um cãozinho muito fofo chamado Bolota. Neste momento você já pode vislumbrar a possibilidade de o seu novo vizinho ser o seu presenteador secreto. Se você quiser e principalmente se tiver habilidades sociais para abordar o assunto neste momento (que você poderá aprender em outros posts), mesmo sem ter certeza quanto às circunstâncias, é possível deixar algum alerta amigável ao vizinho dono do cachorro (uma atitude claramente agressiva neste momento seria acusar que o cocô da sua porta foi obra do Bolota).

 

Passam-se mais alguns dias e você sai de casa no final de semana, vê o Bolota solto pela vizinhança brincando alegremente com as crianças dali e, de repente, o Bolota para e começa a fazer xixi. Você não vê sinal de intervenção do seu vizinho, que está apenas ouvindo dentro de sua casa as latidas do Bolota brincando. Note que você pode intervir indo avisar cordialmente o vizinho de que o cachorro fez xixi nas dependências do condomínio; pode inclusive demonstrar seu incômodo.

 

Percebeu o que eu quis te passar neste tópico? Ao mesmo tempo que não há justificativa para brigar com o vizinho (agressivo), não dizer nada (passivo) implicará na perpetuação do hábito de soltar o cachorro para brincar sem atenção ao detalhe das fezes e urina. O mesmo pode acontecer se, brigando com o vizinho, você perder toda a sua credibilidade, mas isso é assunto para o próximo tópico.

 

3. "Quem muito segura em algum momento solta tudo de uma vez e quem muito solta em algum momento fica obrigado a segurar tudo que soltou."

 

 

Você não deve ter entendido nada ao ler este título. Calma, vou lhe explicar.

 

Veja, o passivo se segura demais a fim de evitar tensões onde seja necessário expressar opiniões discordantes, sentimentos divergentes e outros pontos conflitantes em geral. Isso é um tiro no pé, pois somos humanos e em algum momento essa pessoa vai se sentir no direito de soltar o verbo ou agir de alguma outra forma agressiva. É um modo um tanto contraditório dessa pessoa funcionar, pois quem decidiu abrir mão de demonstrar incômodo no passado foi ela própria. Aqui vimos que quem muito segura, em algum momento solta tudo de uma vez.

 

Agora veja como o contrário acontece. O agressivo entra na defensiva, supõe que se não intervir de qualquer jeito sairá lesado das situações e que a agressividade é decisiva para isso. Outro fiasco, pois mesmo que consiga algumas vantagens imediatas a médio ou longo prazo perde muito ao sofrer consequências pelo mau comportamento e em desenvolvimento pessoal também, além de muitas vezes terminar "sozinho". É uma bola de neve: quanto mais seguir agindo inadequadamente no dia a dia, mais irá acumulando uma má reputação, gerando circunstâncias para que pessoas envolvidas o punam ou deixem de associar-se a ele. Quando a consequência finalmente acontece, esta pessoa sofre e se vê sem saída por tornar-se inviável comportar-se agressivamente ao menos por algum tempo. Quando ocorre um corte de relações, o agressivo poderá mudar de comportamento ou encontrar novas pessoas com quem agirá da mesma maneira, e isso forma um ciclo prejudicial em diversos fatores, mas não vou me estender nisso agora. Vimos aqui que quem muito solta, em algum momento se vê obrigado a segurar.

 

4. O que fazer?

 

 

 

Falamos até agora sobre o que não fazer. Você deve estar se perguntando sobre o que afinal poderia ser feito, já que nada está bom. Apesar de nem sempre parecer, não é nada tão difícil assim de aplicar no dia a dia. Me acompanhe!

 

Falei no começo do post sobre um meio-termo entre os comportamentos passivo e agressivo. É a assertividade. O assertivo desenvolve habilidades para se comunicar considerando as vontades, sentimentos e direitos do próximo, estabelecendo relações em que todos saem satisfeitos. No envolvimento com o inadequado, o assertivo dá consequências, não assumindo responsabilidade pelo que não esteja no seu controle. Cada um é responsável pelo que faz, todos têm tempo e oportunidade para aprender.

 

Vou te dar um exemplo simples para ficar mais fácil entender.

 

Imagine que você esteja passeando com um amigo e vocês param em um lugar para tomar um café. Você pediu um capuccino e o seu amigo um café expresso com um pão de queijo. Passa-se um tempo considerável e o pedido não chega. Vocês começam então a duvidar se houve algum problema com o pedido.

 

  • Comportando-se passivamente vocês não irão tirar a dúvida com um atendente, preferindo esperar por um tempo muito longo e obviamente não desejado.
     

  • Comportando-se agressivamente, vocês irão reclamar de forma ríspida.
     

  • Comportando-se assertivamente vocês irão chamar gentilmente um atendente e perguntar se o pedido foi feito da forma correta, podendo inclusive deixá-lo saber que vocês estão com fome ou que estão achando o atendimento um pouco demorado, mas educadamente.

 

Esse é um exemplo bem simples que poderia se configurar de muitas outras formas em reações diferentes de todos os três tipos. Existem situações mais simples e mais complexas do que essa que irão dificultar ou facilitar o comportamento assertivo.

 

Até aí ok, mas talvez para você não pareça muito fácil assim desenvolver esas habilidades para lidar com situações mais difíceis, não é mesmo?

 

Veja as principais competências que podemos desenvolver para sermos pessoas assertivas:

 

 

  • Iniciar e manter conversações.
     

  • Falar em público.
     

  • Expressões de amor, agrado e afeto.
     

  • Defesa dos próprios direitos.
     

  • Pedir favores.
     

  • Recusar pedidos.
     

  • Fazer obrigações.
     

  • Aceitar elogios.
     

  • Expressão de opiniões pessoais, inclusive discordantes.
     

  • Expressão justificada de incômodo, desagrado ou enfado.
     

  • Desculpar-se ou admitir ignorância.
     

  • Pedido de mudança no comportamento do outro.
     

  • Enfrentar críticas.

Certamente não iremos conseguir aplicar tudo sempre e de um modo perfeito. Como dito anteriormente, circunstâncias facilitam e dificultam o exercício da assertividade. Sabe por quê? Porque isso mexe com as nossas emoções. O que vai poder nos ajudar muito quanto a isso é revisar nossas interpretações a respeito dos nossos direitos e deveres de forma leve e tranquila. Conseguiremos até um certo ponto e além dele será mais difícil e até mesmo improvável conseguir sem fazer terapia, por exemplo. A leitura sobre o assunto também dá uma ajuda bastante efetiva, mas isso fica para os próximos posts. Fique ligado!

 

E se você gostou deste texto ou acha que ele poderia ajudar alguém, curte e compartilha! Isso me deixa muito feliz e motivada a continuar escrevendo coisas boas, um abraço!

 

 

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Amábile Rodrigues Siqueira é psicóloga pela Universidade Federal de São Paulo atuando na cidade de Santos.

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