Saiba como proteger as pessoas que você gosta das armadilhas da mente.

 

 

Você sabia que de todas as pessoas que você conhece, quase a metade delas já considerou ou irá considerar e lutar contra a ideia de tentar suicídio por duas semanas ou mais ao longo da vida?

 

E que um décimo dessas pessoas irá mesmo tentar tirar a própria vida? 

 

Por isso, no mês do setembro amarelo muito se fala sobre os sinais de que uma pessoa esteja na iminência de tentar suicídio.

 

Então não podemos ignorar sinais como:

 

- despedidas (por exemplo um "adeus" no lugar de um "boa noite", contextualizado pelo estado emocional grave),

- declarações sobre a vontade de interromper a vida,

- doações de bens materiais de alto valor,

- doações de animais de estimação,

- isolamento,

- abandono de atividades,

- busca por locais e objetos perigosos que indiquem um planejamento de suicídio,

- entre outros...

 

Agora você deve estar se perguntando como proceder, certo?

 

Isto é o que vou te ensinar aqui e agora.

 

 

 

Identifique se a pessoa está prestes a fazer a tentativa, ou se indica ideias ou planejamento, de acordo com como ela se expressou no momento em que você notou o indício de ideação suicida.

 

Se não há sinal de tentativa no momento presente, mas sim ideias, a  primeira coisa mais importante é: acolha!

 

Ouça a pessoa, mas ouça sem julgar.

 

Pois você nunca saberá os pormenores de todas as experiências de uma pessoa.

 

E o conjunto de nossas experiências e relações ao longo da vida constituem nossa percepção; e podem colaborar para que sejam mais positivas ou negativas em relação a si mesmos, aos outros e ao mundo.

 

Tudo isso é independente de cor, credo ou classe social. O mundo científico comprova!

 

Você não tem como saber como todos os acontecimentos da vida delas se entrelaçaram principalmente nas esferas afetiva e de desempenho, muito associadas as crenças disfuncionais mais frequentes: de desamor, desvalor e desamparo.

 

Então, ao menos não invalide a opinião das pessoas em seus momentos de sofrimento.

 

Dessa forma, além de sofrer pelos motivos pessoais anteriores, ela tenderia a acrescentar mais um: sentir-se incompreendida e sozinha. Muito provavelmente não contaria mais com você também.

 

Pois não temos todas as respostas certas para tudo. Não suponha que a outra pessoa nunca estará certa enquanto você estaria sempre correto.

 

Além disso, não podemos considerar uma pessoa fraca, covarde ou uma pessoa pior por ter ideias suicidas. Obviamente, né!?

 

Antes de qualquer um dizer qualquer coisa, precisará entender que ninguém nunca terá como imaginar cem por cento como se sentiria no lugar dela a um nível tão complexo; o que podemos fazer é solidarizar com o sofrimento evidente.

 

Lembre-se também de fazer contato com a pessoa de forma privada, sem constrangê-la!

 

 

 

Em segundo lugar: recomende que a pessoa busque ajuda profissional.

 

Tente motivá-la da forma como lhe for possível, mas não tente convencê-la intensamente criando resistências.

 

Principalmente se a pessoa já tiver um histórico de tentativas de tratamento mal sucedidas.

 

Deixe que ela ganhe confiança no profissional que irá atendê-la. Ele é treinado para isso!

 

Você poderá precisar de um grau de desprendimento de que a sua forma de fazer as coisas é a mais correta.

 

Pode se tornar um tiro no pé agendar uma consulta psiquiátrica surpresa, a pessoa poderá nunca mais querer voltar...

 

Lembre-se, é a vida dela, não a sua! 

 

 

 

Em terceiro lugar, acione uma rede de apoio.

 

Mas muito cuidado para não gerar uma quebra de confiança da pessoa com você.

 

É importante conversar sempre de forma a estimular a expressão de suas emoções para as pessoas de convívio e a pedir ajuda em momentos de crise.

 

Contar questões emocionais que foram compartilhadas apenas com você para terceiros pode agravar o estado emocional da pessoa, além de levá-la a se afastar de você que está tentando ajudá-la. 

 

Tenha cuidado, lidar com essa parte requer muita sensibilidade

 

Afinal, você também pode buscar ajuda de um profissional para você mesmo caso sinta insegurança para lidar, só não permita que os acontecimentos se agravem.

 

Deixe também o número 188 do CVV a disposição e peça para que a pessoa o tenha sempre a disposição enquanto seu estado de saúde emocional ainda estiver em tratamento.

 

 

 

Chegando ao final, porém não menos importante: saiba com antecedência a quais serviços pode recorrer em caso de urgência.

 

Se você identificar algum sinal de que a pessoa está prestar a fazer uma tentativa de suicídio poderá ligar para a pessoa e, caso não atenda, pode acionar o 190 (polícia militar), 192 (SAMU) e 193 (bombeiros).

 

Nos casos de tentativas em vídeos ao vivo no facebook, você pode acionar socorro dentro do próprio site, no campo denunciar publicação.

 

Neste caso, funcionários do facebook identificam a localidade do usuário e contatam os órgãos públicos locais.

 

 

 

Mais um ponto importante de bônus: por mais que as religiões tendam a ajudar muito pessoas com queixas emocionais, dizer a uma pessoa que ideias suicidas são falta de Deus pode ser um grande risco. Veja o por quê?

 

Um suicida está em um momento da vida em que os dados de realidade tendem a ser interpretados de forma pessimista...

 

Portanto, dizer que lhe falta Deus na vida terá mais chances de lhe gerar culpa e vergonha do que um senso de esperança.

 

Por consequência dos sentimentos ruins vem mais sofrimento e, na interpretação do suicida, motivos para interromper a vida.  

 

Então deixe que a pessoa recorra a religião sem forçá-la demais, isso não te impede de deixar a informação religiosa a disposição, caso ela se interesse.

 

Tenha sensibilidade e tolere! É necessário e provavelmente a sua própria religião lhe incentive a ser uma pessoa tolerante com os demais.

 

Imposição religiosa é frequentemente vista pelo suicida como invalidação de pensamento e pode afastá-lo, quebrar a confiança e gerar isolamento. 

 

A psicologia é uma profissão independente de religiões respaldada pelo Conselho Federal de Psicologia. Informo aqui um raciocínio independente de eu ter uma religião ou não e de crer em Deus ou não.

 

Lembre-se, o suicídio é um ato de desespero, tem um componente cognitivo associados às crenças pessimistas e acontece entre pessoas religiosas ou não.

 

Espero ajudar a salvar vidas com esse texto! Se você acredita que essas informações podem ser úteis a mais pessoas não deixe de compartilhar!!! 

 

Um abraço!

 

 

Please reload

psicologa em santos, consultorio de psicologia

Amábile Rodrigues Siqueira é psicóloga pela Universidade Federal de São Paulo atuando na cidade de Santos.

Posts Destacados

3 pensamentos para questionar se você quer ter uma vida amorosa tranquila e feliz.

14/02/2019

1/10
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Amábile Rodrigues Siqueira - Psicóloga em Santos - CRP 06/118851 - Consultório de Psicologia em Santos-SP - Atendimentos de Segunda a Sábado

  • Wix Facebook page
  • Instagram ícone social

amabile.rodsiq@gmail.com

(13) 98153-9029

por Amábile Rodrigues Siqueira